Sobre mim

"Sou Bacharel em Ciências Moleculares, e Doutorando em Física. Jogador inveterado de RPG e video-game. Terceiro-mestre na arte de pentelhar, e build full int/cha."


-----domingo, fevereiro 02, 2003 | 0


Pois é, enquanto eu não escrevo algo de novo fico postando letras de músicas....

-----domingo, fevereiro 02, 2003 | 0


**Iris
Goo Goo Dolls

And I'd give up forever to touch you
Cause I know that you feel me somehow
You're the closest to heaven that I'll ever be
And I don't want to go home right now

And all I can taste is this moment
And all I can breathe is your life
When sooner or later it's over
I just don't want to miss you tonight

And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

And you can't fight the tears that ain't coming
Or the moment of truth in your lies
When everything feels like the movies
Yeah you bleed just to know you're alive

And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am

I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am
I just want you to know who I am

-----terça-feira, janeiro 28, 2003 | 0


***Annie's Song
(John Denver)

You fill up my senses
Like a night in a forest
Like the mountains in springtime
Like a walk in the rain
Like a storm in the desert
Like a sleepy blue ocean
You fill up my senses
Come fill me again

Come let me love you
Let me give my life to you
Let me drown in your laughter
Let me die in your arms
Let me lay down beside you
Let me always be with you
Come let me love you
Come love me again

You fill up my senses
Like a night in a forest
Like the mountains in springtime
Like a walk in the rain
Like a storm in the desert
Like a sleepy blue ocean
You fill up my senses
Come fill me again

-----terça-feira, janeiro 28, 2003 | 0


**Mensagem de amor
(Paralamas)

Os livros na estante já não têm mais tanta importância
Do muito que eu li, do pouco que eu sei
Nada me resta

A não ser a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei
Nem que seja só para estar ao seu lado
Só pra ler no seu rosto
Uma mensagem de amor

A noite eu me deito,
Então escuto a mensagem no ar
Tambores rufando
Eu já não tenho nada pra te dar

A não ser a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei
Nem que seja só para estar ao seu lado
Só pra ler no seu rosto
Uma mensagem de amor

No céu estrelado eu me perco
Com os pés na terra
Vagando entre os astros
Nada me move nem me faz parar


A não ser a vontade de te encontrar
O motivo eu já nem sei
Nem que seja só para estar ao seu lado
Só pra ler no seu rosto
Uma mensagem de amor

-----segunda-feira, janeiro 27, 2003 | 0


**Tendo a Lua
(Os paralamas do sucesso)

Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias
Gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim

O céu de Ícaro tem mais poesia
que o de Galileu

E lendo os teus bilhetes
Eu penso no que fiz
Querendo ver o mais distante
Sem saber voar
Desprezando as asas
Que voce me deu

Tendo a Lua
Aquela gravidade
Onde o homem flutua
Merecia a visita
Não de militares
Mas de bailarinos
E de você e eu

Eu hoje joguei tanta coisa fora
E lendo os teus bilhetes
Eu penso no que fiz
Cartas e fotografias
Gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim

-----segunda-feira, janeiro 27, 2003 | 0


PANIS ET CIRCENCIS
Letra de Caetano Veloso
Música de Gilberto Gil
1968

Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e em morrer

Mandei fazer
De puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e em morrer

Mandei plantar
Folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar
Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas da sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e em morrer

-----domingo, janeiro 26, 2003 | 0


Há metafísica bastante em não pensar em nada.
(O guardador de rebanhos - Alberto Caeiro - Fernando Pessoa)

O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?

Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).

O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos,
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas cousas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Metafísica? Que metafísica têm aquelas árvores?
A de serem verdes e copadas e de terem ramos
E a de dar fruto na sua hora, o que não nos faz pensar,
A nós, que não sabemos dar por elas.
Mas que melhor metafísica que a delas,
Que é a de não saber para que vivem
Nem saber que o não sabem?

"Constituição íntima das cousas"...
"Sentido íntimo do Universo"...
Tudo isto é falso, tudo isto não quer dizer nada.
É incrível que se possa pensar em cousas dessas.
É como pensar em razões e fins
Quando o começo da manhã está raiando, e pelos lados das árvores
Um vago ouro lustroso vai perdendo a escuridão.

Pensar no sentido íntimo das cousas
É acrescentado, como pensar na saúde
Ou levar um copo à água das fontes.

O único sentido íntimo das cousas
É elas não terem sentido íntimo nenhum.
Não acredito em Deus porque nunca o vi.
Se ele quisesse que eu acreditasse nele,
Sem dúvida que viria falar comigo
E entraria pela minha porta dentro
Dizendo-me, Aqui estou!

(Isto é talvez ridículo aos ouvidos
De quem, por não saber o que é olhar para as cousas,
Não compreende quem fala delas
Com o modo de falar que reparar para elas ensina.)

Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar,
Então acredito nele,
Então acredito nele a toda a hora,
E a minha vida é toda uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os olhos e pelos ouvidos.

Mas se Deus é as árvores e as flores
E os montes e o luar e o sol,
Para que lhe chamo eu Deus?
Chamo-lhe flores e árvores e montes e sol e luar;
Porque, se ele se fez, para eu o ver,
Sol e luar e flores e árvores e montes,
Se ele me aparece como sendo árvores e montes
E luar e sol e flores,
É que ele quer que eu o conheça
Como árvores e montes e flores e luar e sol.

E por isso eu obedeço-lhe,
(Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?).
Obedeço-lhe a viver, espontaneamente,
Como quem abre os olhos e vê,
E chamo-lhe luar e sol e flores e árvores e montes,
E amo-o sem pensar nele,
E penso-o vendo e ouvindo,
E ando com ele a toda a hora.

-----sábado, janeiro 25, 2003 | 0


Duas descobertas curiosas:

1º - Abro o dicionário, procurando nem me lembro o que, e qual a primeira palavra que vejo? Gamo. Hum, leio a descrição (animal semelhante ao veado, com um rabo maior, sei lah mais o q...), olho um pouco mais, e vejo a palavra: Gamofobia. Significado? Medo ou aversão ao matrimônio.
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2º - Pego um livro de mitologia greco-romana e começo a dar uma olhada.... Leio sobre uma deusa, Diana entre os gregos. Deusa caçadora, representa a natureza, o equilíbrio, trazendo tanto o medo quanto o amor, causando mortes para o surgimento da vida (Muito semelhante à Deusa do Brumas....).
Andava pelas florestas, com seu arco e flecha, e era muito vingativa.

Irmã de Apolo, seu nome entre os gregos era Ártemis, e ela tinha a Lua crescente pintada na testa.
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Coincidências não existem....

-----sábado, janeiro 25, 2003 | 0


Para Viver um Grande Amor
(Vinicius de Moraes)

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção com o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado para chatear o grande amor.

Para viver um amor, na realidade, hé que compenetrar-se na verdade de que não existe amor sem fidelidade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut, além de ser fiel, ser bem conhecedor da arte culinária e do judô - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta pontos a favor...

Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, estrogonofes - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.

(Vinicius de Moraes)

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Pior ainda que não encontrar a bem-amada é, nessa selva de concreto, encontra-la para depois perde-la, devido aos seus próprios erros.

-----sexta-feira, janeiro 24, 2003 | 0


Há momentos em que sentimos
que nossas vidas estão em
preto-e-branco.
Não há nada de novo,
tudo está sempre na mesma monotonia.
Os dias se passam todos iguais.
Mas não há nenhum lápis-de-cor que resolva isto.

Algumas pessoas aceitam levar essa vida,
que possui só duas cores,
que é só existência e ausência.
Preto e Branco.
Nem procuram outras cores,
para quê, se com essas duas
já conseguem ter todas as imagens que querem??

Outras pessoas não.
Não aceitam esse tédio.
Não aceitam essa verdade.
E procuram formas de colorir sua verdade.
Dentre essas, há aqueles que, vista uma oportunidade,
seguem o rastro colorido com todas as forças,
inconsequentes de seus atos.

Eu sou uma delas.
Ví uma oportunidade de colorir minha vida,
um amor muda a tudo.
Mas fui louco, exagerei.
Na minha busca por cores,
realmente consegui uma.
O
vermelho.

Mas, ao contrário do que desejava,
não foi o amor que alcancei.
Apenas a dor consegui causar,
e com isso apenas o vermelho-sangue se incorporou à minha vida.

Estou conseguindo tirar essa cor,
mesmo que volte o preto-e-branco,
mas certas manchas (como as de sangue) nunca saem,
por mais que se lave.

Só espero não ter manchado muito
a vida de certa pessoa,
com a dor que causei.
Novamente peço perdão.

-----quinta-feira, janeiro 23, 2003 | 0


Me acusara, a um tempo,
de que esqueceria-te facilmente.

No entanto és tu quem me evita.

Disseras que não haviam mais cavalheiros,
e, por todas as minhas confianças e esforços,
tentei mostrar-te que sim, eles existem.

E são os que mais são rejeitados.
E são os que mais sofrem.
E são os que mais persistem.

Eu tento ser um deles.
Talvez já o seja,
pois já sofro, já sou rejeitado, já sou persistente.

Algumas vezes gostaria mesmo de não o ser,
e esquecer facilmente das coisas.
Não sofreria tanto.

Mas não, não esqueço.
E és tu, quem duvidou de minha existencia,
que agora me evitas.

Perdoa-me por ser o que sou.
Perdoa-me por fazer o que faço, por ter feito o que fiz.

Perdoa-me por tentar ser
aquele que todas dizem querer
mas que ninguém de verdade quer.

Esse não é meu tempo.
Essa não é minha época.
Essa não é minha vida.

-----quinta-feira, janeiro 23, 2003 | 0


X. MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

(Mensagem - Fernando Pessoa)
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Em tí também há o céu espelhado,
a Lua Crescente em seu pescoço.
Por tí também há dor.

-----quinta-feira, janeiro 23, 2003 | 0


Tenho pensado muito esses dias.
Pensado no meu futuro.
Pensado no meu passado.
Pensado no meu presente.

Nunca fiz nada importante.
Nada distinto.
Nada que mereça ser lembrado.
Algumas poucas idiotisses que gostaria de nem ter feito,
e mais nada.

Não sou ninguém.

Terei chance de ser alguem,
de fazer a diferença??
Estarei fazendo certo ao seguir um sonho, sem saber se terei as minimas condições para sobreviver?

Não sou como mais ninguém,
mas não sou especial para ninguém.


Não sei porque comecei a pensar em tudo isso.
Acho que foi por ter pensado, um tempo atrás, que finalmente as coisas tinham começado a dar certo.
Não, não deram certo.
Tudo está como antes, ou ainda pior.

Não, isso não é uma poesia.
Nada que escrevo o é.
São apenas palavras,
expressões do que no íntimo eu sinto.
Eu relamente estou com medo do que pode acontecer
e desapontado com o que aconteceu.

-----quinta-feira, janeiro 23, 2003 | 0


Sou uma sombra.
Discreto, vazio, ignorado.

Ninguém não gosta de uma sombra.
Ninguém gosta de uma sombra.

Alguns, em dias de Sol,
até chegam a me procurar,
por pouco tempo.
Mas logo volto ao esquecimento.

Meu lugar é sob as pessoas,
pisado, esquecido.

Passo, e ninguém percebe,
ou, como num eclipse
(que é a sombra da Lua)
percebem-me mas logo desapareço,
novamente ignorado.

Ninguém odeia uma sombra.
Ninguém ama uma sombra.

Sou a ausência,
a falta de tudo.

Quero apenas retornar ao céu noturno,
que é a grande sombra.
(nem desaparecer eu posso,
pois, se nada sou, já não apareço)

-----terça-feira, janeiro 21, 2003 | 0


Aqui está-se sossegado
(Fernando Pessoa)

Aqui está-se sossegado,
Longe do mundo e da vida,
Cheio de não ter passado,
Até o futuro se olvida.
Aqui está-se sossegado.

Tinha os gestos inocentes,
Seus olhos riam no fundo.
Mas invisíveis serpentes
Faziam-a ser do mundo.
Tinha os gestos inocentes.

Aqui tudo é paz e mar.
Que longe a vista se perde
Na solidão a tornar
Em sombra o azul que é verde!
Aqui tudo é paz e mar.

Sim, poderia ter sido...
Mas vontade nem razão
O mundo têm conduzido
A prazer ou conclusão.
Sim, poderia ter sido...

Agora não esqueço e sonho.
Fecho os olhos, oiço o mar
E de ouvi-lo bem, suponho
Que veio azul a esverdear.
Agora não esqueço e sonho.

Não foi propósito, não.
Os seus gestos inocentes
Tocavam no coração
Como invisíveis serpentes.
Não foi propósito, não.

Durmo, desperto e sozinho.
Que tem sido a minha vida?
Velas de inútil moinho —
Um movimento sem lida...
Durmo, desperto e sozinho.

Nada explica nem consola.
Tudo está certo depois.
Mas a dor que nos desola,
A mágoa de um não ser dois
Nada explica nem consola.

-----terça-feira, janeiro 21, 2003 | 0


Os dias
se arrastam
len-ta-men-te.

Tenho tempo de sobra
e, ainda assim,
nada faço.

Minhas leituras
permanecem interrompidas,
mesmo as que eu quero terminar.

Meu corpo
permanece cansado,
letárgico,
e para nada tenho forças.

Maldita preguiça que me toma,
ócio horrível das férias.

Como uma chata chuva
que, vagamente,
cai por todo o dia,
incomodamente,
sem forças para ser tempestade,
sinto a minha vida passar,
ininterruptamente,
desperdiçando-se,
vagamente,
sem forças para ser tempestade.

-----segunda-feira, janeiro 20, 2003 | 0


Era uma festa gloriosa.
A tempos não se reuniam,
de forma tão alegre,
elfos, anões, hobbits e humanos.
Iluminados pela luz da Lua e por tochas,
numa luz inconstante e sombria,
alegrada pela doce melodia élfica,
que as vezes dava lugar a uma animada canção hobbit,
assim era a festa,
tão especial e grandiosa
que até as águias (como essa que vos fala)
foram observa-la (até Manwe estava curioso).

Comida e bebida havia a vontade,
das mais diversas culturas e raças que alí estavam.
Mas, quando iniciaram-se as festividades,
aí todos entraram na brincadeira.
Criando gritos, pagando micos,
duelando com espadas ou perguntas,
utilizando corpo e mente,
todos se divertiam.

Mas, entre tantos humanos, anões,
hobbits, ents, aranha e dragões,
como não reparar na bela elfa de trajes vermelhos?
Ah, que beleza, liderando seu grupo, correndo pelos campos...
Como admirei seus olhos quando deitou-se próxima de mim,
maravilhosamente verdes, a me olhar.

Sim, eu sei, não precisa me lembrar.
Águias estão aqui para olhar pelos filhos de Eru,
e não para amá-los.
Uma donzela élfica não veria numa águia
mais que um pássaro gigante, animal.

Quando vai embora, gostoso abraço,
chegaria até a iludir-me:
-Sim, águia e elfa podem ficar juntos;
mas acaba simplesmente por fortalecer,
através das palavras ditas na despedida,
que meu lugar é nas alturas,
longe da vida,
apenas vigiando.

Bato asas e alço vôo,
a festa já está no fim.
Mas fico observando atentamente até a saída do ultimo ser.
Onde estaria aquela animação toda?
Quando tantas raças tornariam a se reunir?
Não sei, não havia mais músicas ou tochas,
apenas a luz do luar e as folhas pisadas,
galhos quebrados e restos no chão.
Não há mais o que se ver,
a alegria não está mais alí.
Volto para acsa,
com aqueles verdes olhos e o abraço em minha mente.
Os picos mais altos e frios me aguardam.
De onde tudo vejo e nada faço.

-----segunda-feira, janeiro 20, 2003 | 0


Para algumas perguntas,
não há resposta.
Para outras perguntas,
existem infinitas.
Para certas perguntas,
apenas duas: sim ou não.

E eu que achava que,
para o que eu estava a dizer,
só haveria sim ou não.
E respondeste-me com sim E não.

E é nesta simples troca de conjunção
que minha vida está, agora, baseada.

-----domingo, janeiro 19, 2003 | 0


Perdão.
Perdoa-me se te faço sofrer.
Não é isso que eu queria.

Já me disseste que não é isso,
que outro é o motivo de tua tristeza.

Talvez.
Acredito no que me dizes,
mas estar nessa situação sempre piora as coisas.
Perdoa-me.

Não poder alegrar-te,
ter perdido tua confiança,
é o que mais me entristece.

Podes me dizer que não,
mas alguma culpa tenho eu.

Desculpa-me.

-----domingo, janeiro 19, 2003 | 0


Um mês.
Um mês depois sento-me novamente
sob a luz da Lua cheia, em minha janela.

(olhe, um homem vem pela rua)

Idéias não me vêm!!

A lua é a mesma, pura e bela,
indiferente nas alturas.
Eu, porém, não sou mais a mesma pessoa.
Estava apaixonado, e agora, desiludido.

A lua era minha donzela
mas agora é a senhora de meus castigos,
lembrando-me dolorosamente da minha solidão.

Sozinho, olho-te no céu aberto e claro,
com algumas estrelas.
Só. Devo ser o único que olho-te, ainda,
como poetas olhavam no passado.
(não, ela também olha. não sou o único)
Sua luz, clara, que antes me era guia,
agora só me revela a palidez de minha não-vida.

Eu, eu queria tentar, queria mesmo.
Mas não sei se ainda consigo.
Não há como prosseguir ou retornar.
Não há como esquecer o que se passou,
agora que descobri não ser único.
Não irei esquece-la nunca.

Não há retorno,
mas também não há caminho.
Todas as portas foram fechadas
e, comigo, só sobrou o único direito
que todos tem, ir para onde todos vão.

Um dia....

Ah, essa janela, essa visão me mostra tanto...
as montanhas, nebulosas, ao fundo,
o movimento de carros na rua,
(que fazem tão tarde ??)
as árvores no jardim,
o céu, claro como a morte.

-----quinta-feira, janeiro 16, 2003 | 0


Em um certo planeta, quem olhasse para o alto veria um gigantesco cinturão de pedras.
Que coisa horrível !! diriam, esse cinturão só atrapalha nossa visão do espaço!!
Outros, mais práticos, diriam que esses rochedos todos poderiam, a qualquer momento, atingir um dos satélites, mandando milhões para o ralo. E para mandar naves espaciais?? Essas pedras atrapalhariam muito!!
A maioria, porém, simplesmente acharia muito feio aquelas pedras sobre suas cabeças, as vezes ficando com medo que alguma delas caísse sobre alguém, se perguntando porque Deus fez tal maldade com eles.

Mas, com o tempo, todos aprenderiam a conviver com o cinturão, adaptando suas tecnologias à ele, mesmo que não possam mandar naves espaciais ou manter comunicação tão facilmente com outros lugares do espaço.

Ele estava lá muito antes que as pessoas tivessem surgido. Provável que tivesse surgido junto com o planeta. E nunca ele iria se desfazer.
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Esse planeta era Saturno ou algum outro, em outra galáxia, muito semelhante a ele.

Uma pena que a população de tal planeta não possa admirar o espetáculo e a beleza que seus anéis proporcionam, visíveis apenas a quem está a uma certa distância, e só considerem tal dádiva um problema para suas vidas.
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Existem pessoas que são exatamente como Saturno.

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-----segunda-feira, janeiro 13, 2003 | 0


Linda donzela,
não sou um cavaleiro de armadura reluzente,
espada em punho e cavalo treinado;
não sou um romântico Don Juan,
delicado ou devasso na exata hora;
não sou um príncipe encantado,
rico e belo de um reino distante;
não sou herói nenhum, que mesmo em suas grandezas
nem perto chegam de serem merecedores de ti,
de tua beleza, de tua mente, de teu espírito, de teu coração.

Como poderia eu ter esperanças, então?
Não sou ninguém especial,
um simples quase-físico, quase-poeta,
sem títulos, terras, ou nada para lhe dar,
nem mesmo minha existência, vida, corpo e coração,
pois estes já são teus a muito tempo,
e por eles não quero nada em troca
(não que tenham algum valor....).

Não, não poderia ter sido diferente.
Eu já devia saber que alguém tão especial
não estaria em meu destino.
Já foi além do que eu merecia
conhecer-te, ter-te como amiga,
e, isso, espero não perder....

Fui preciptado,
sonhei com o que não estava em meu alcance.

Errei, perdoe-me.

-----segunda-feira, janeiro 13, 2003 | 0


-------BIG BANG

Não me sais da mente por nenhum instante.
Penso em ti a todo momento,
inconscientemente repito teu nome,
tua voz é a única que ouço,
teu rosto é o único que vejo.

Todo o resto do mundo é só um zumbido,
mosquito chato tentando aparecer.

Meu mundo, minha vida é a tua pessoa.
Minha literatura são teus textos,
minha língua é a dos poetas.
Minha ciência, falha, procura explicar quem é,
de onde surgiu e para onde vai pessoa tão especial,
em vão,
pois milagres e anjos estão além da ciência.
Amar tal Deusa é minha religião,
observar tua face minha geografia,
escutar tua voz minha música.
Minha matemática, já quase sem números,
conta os segundos que passo longe de ti.

Foi apenas quando te conheci (explosão)
que meu universo surgiu.

E, ser humano, desde aquele momento
tento entender o que acontecera comigo.

Nasci.

-----segunda-feira, janeiro 13, 2003 | 0


"Deus não tem unidade,
Como a terei eu ?"
Fernando Pessoa


Sou contraditório em essência,
feliz na tristeza
e triste na alegria.
Sou romântico racional,
físico poeta.
Sou o que não sou,
o nada e o tudo.
Sou alguém e sou ninguém.
Sou e não Sou???

-----sábado, janeiro 11, 2003 | 0


Escrevi essa poesia ontem, só não achei que ela adquiriria um significado tão especial tão rápido...

Minha rosa branca,
flor delicada,
como me custa ver-te sofrer!
Todo o possível e o impossível faria eu
para acabar com tua dor.
Se estivesses com frio, traria-te o Sol.
Se estivesses cansada, carregaria-te por todo o planeta.
Daria-te minhas lágrimas, se tivesses sede.
Daria-te meu sangue, se tivesses fome.
Mas, se tivesses solidão (e sei que tens)
além de lágrimas e sangue
daria-te o recipiente inútil que os contém,
para que sozinha não mais ficasses.
E a minha vida? Que vida?
Sem tí, não existo,
é apenas dando-te minha vida (e vendo que vives feliz)
que mantenho-me vivo.

-----sexta-feira, janeiro 10, 2003 | 0


As palavras do Pessoa são maravilhosas... Quando não consigo escrever, refugio-me nos versos dele e encontro o poema que procuro...

Se mais alguém quiser ler Pessoa, entre em
Jornal de Poesia - Fernando Pessoa (Obra Completa)
e encante-se também com ele.... (eu pessoalmente prefiro os heterônimos Alberto Caeiro e Fernando Pessoa ele-mesmo)

-----sexta-feira, janeiro 10, 2003 | 0


Mais um do Pessoa
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Outros terão
Um lar, quem saiba, amor, paz, um amigo.
A inteira, negra e fria solidão
Está comigo.

A outros talvez
Há alguma coisa quente, igual, afim
No mundo real. Não chega nunca a vez
Para mim.

"Que importa?"
Digo, mas só Deus sabe que o não creio.
Nem um casual mendigo à minha porta
Sentar-se veio.

"Quem tem de ser?"
Não sofre menos quem o reconhece.
Sofre quem finge desprezar sofrer
Pois não esquece.

Isto até quando?
Só tenho por consolação
Que os olhos se me vão acostumando
À escuridão.
(Fernando Pessoa)

-----sexta-feira, janeiro 10, 2003 | 0


Hum, tenho coisas pra falar mas não estou conseguindo escrever....
Vou postar aqui então poemas do Fernando Pessoa...
Eu adoro tudo o que ele escreve, mas esse poema é especialmente maravilhoso:
------------------------------------------
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente ...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

(Fernando Pessoa)

-----terça-feira, janeiro 07, 2003 | 0


Só me pergunto como pude escrever dois textos tão distintos um seguido do outro....

-----terça-feira, janeiro 07, 2003 | 0


A doença é terminal. Sinto isso. As pústulas se romperam, os hematomas doem, o sangramento não cessa.
Logo não mais sofrerei. E ninguém saberá de minha morte. Todos já se foram. "A doença é muito contagiosa", disseram. Hunf, agora que preciso, me abandonaram...
Sem forças, olho pela janela, deitado em minha cama. Pelo menos isso fizeram por mim, deixaram meu leito ao lado da janela. Observo as estrelas, que sempre me observaram, e penso ser como elas. Uma brilhando a menos no céu, quem nota?
Dores de cabeça, desmaios.
Não sei quantos dias, meses se passam, se durmo por uma noite ou uma semana.
Bem, a Lua está cheia. Pelo menos morrerei sob sua luz. Olho-a pela ultima vez, sua luz, pura, afasta de mim o medo. Só hesito por pensar não vê-la novamente. Mas me levanto, com esforço. Olho um espelho.

Não, não há marcas em minha pele. Minha saúde? Perfeita. Mas algo ainda dói, e as pessoas não voltam. Bem, agora voltarão, correndo. Não há como não ouvir o som do tiro.
Me encontrarão aqui, caído. A arma na mão.

Pelo menos nisso estarão certos. A doença (se é que existia) era fatal.

-----terça-feira, janeiro 07, 2003 | 0


Sonho com o dia em que minhas mãos tocarão
as tuas mãos, o teu rosto, o teu cabelo.
Nada mais que isso, tocar
tuas mãos, teu rosto, teus cabelos.

Tua alva tez, como deve ser delicada, suave,
clara e pura como a grande Lua.
Não quero nada mais que
segurar tuas mãos,
acariciar teu rosto,
afagar teus cabelos.

Imagino como dias seriam segundos
e minutos durariam horas,
tu, dormindo ao meu lado,
o som tranqüilo de tua respiração,
o vestido, branco, salpicado de folhas verdes
do belo gramado em que estamos.
Uma árvore nos dá abrigo e sombra,
um rio passa ao lado, num som límpido e brilhante, translucido,
teu rosto apoiado no meu colo,
uma flor repousa em teus cabelos, dourada,
enquanto eu os acaricio, suavemente, para não acordar-te,
admirando tua beleza.

Queria apenas isso:
tocar tuas mãos, teu rosto, teus cabelos,
e, feliz, permaneceria no mundo dos sonhos para sempre.

-----sábado, janeiro 04, 2003 | 0


Não me resta nada a fazer
se não sentar, chorar e escrever.
Das lágrimas faço tinta.
E palavras tiro da dor,
pois seja lá o que eu sinta,
enquanto sentimento for
ninguém se importa.
Só quando sob essa forma torta
de palavras, poema,
prestam atenção.
Não com preocupação, pena,
pois olham sem ler.
Vêem apenas as palavras,
não a emoção.
Têm, por mim, admiração por escrever.
Mas a atenção que realmente preciso
parecem não me entender.
Sem poder gritar-lhes
-Leiam com atenção!!
só me resta sentar,
chorar,
e escrever.

-----sábado, janeiro 04, 2003 | 0


Toco a música do mundo e isso me basta.
Minha flauta, feita por minhas próprias mãos, produz sons do vento, da paz, da natureza.
Sentado sob este grande carvalho, sinto as ranhuras de seu tronco, que me apóia, nas costas, e vejo-o segurando o céu com seus poderosos braços e verdes dedos ao olhar para cima.
O cheiro de grama recém-molhada purifica minha mente, e a lua, vista por uma abertura por entre os galhos, é minha única luz.
A flauta em meus lábios deixa-me sentir ainda o gosto da madeira, e minha melodia se mistura com trovões e o balanço das folhas.
Toco a música do mundo e isso me basta.
Uma rajada repentina de vento derruba algumas flores que girando, docemente, me fazem imaginar bailarinas e alegres meninas, rodopiando nas pontas dos pés, completando assim esse ato musical dos 5 sentidos.

-----sábado, dezembro 21, 2002 | 0


Escrevi esta sequência de poesias sobre a Lua de uma só vez, vendo o luar dessa quarta feira... a que segue foi a primeira que escrevi:

Sentado em minha poltrona
a janela, grandiosa,
me parece um portal.
A Lua, cheia, naquele céu perfeito,
sem nuvens ou poluição
(mesmo com tão poucas estrelas)
me encanta
numa visão paradisíaca.
Coros cantam aos meus ouvidos,
vozes pacíficas e tranqüilas,
falando-me do céu e da Terra.
Meu pensamento voa, longe,
voa como uma coruja,
ave noturna, silenciosa,
e vai até tua presença.
Não há como não pensar em ti
com tal Lua, tal noite, tal beleza,
em minha frente.
Sei que também a adoras
e também deves estar-na olhando agora.
Olhe!
No espelho de prata dos céus
pude ver o reflexo de teus olhos
brilhantes, lindos,
e me ví dentro deles,
sinal que pensavas em mim, sim.
Não te preocupes,
logo nos veremos novamente.
E eu sei que me ouviste,
pois acabo de ver seu sorriso
através de nosso disco luminoso.

-----sábado, dezembro 21, 2002 | 0


Compreendes-me mais que meu espelho
sabes mais o que penso que meus pais
Gosto mais de teus gostos que dos de meus amigos
Assemelho-te mais que assemelho meu irmão
Admiramos noite e Lua,
fantasia e encanto,
prosa e poesia
corpo e alma,
seriedades e brincadeiras.

Somos duas faces de mesmo corpo,
dois corpos de mesma mente,
duas mentes de mesmo coração.

-----sábado, dezembro 21, 2002 | 0


É graças à ti, Lua,
que me sinto feliz hoje.
Foi sob sua luz que achei a vida,
após por tantas vezes só encontrar a morte.
Renascí sob sua luz,
é com ela que achei meu caminho.
Escreverei.
Pesquisarei.
Amarei.
Com todas as minhas forças,
nada mais me importa.

-----sábado, dezembro 21, 2002 | 0


Lunático,
é sobre influência da Lua que vivo.
Quando cheia me traz mudanças,
agita-me da monotonia,
numa progressão crescente enquanto se enche.
Quando esvazia, devo acostumar-me
ao que trouxe, pois quando desaparecer
estou sozinho no mundo,
e devo sobreviver.
Mas sozinho fico só até voltar a crescer,
quando me preparará para a próxima mudança.

-----sábado, dezembro 21, 2002 | 0


Não sei que horas são,
perdi a noção do tempo.
O que me vêm à cabeça escrevo,
num êxtase de inspiração e Lua,
Amor e descoberta.
Sei quem sou, para onde vou,
e só me resta escrever, escrever,
nesse transe frenético imposto
pelo hipnótico pêndulo prata
que subiu aos céus.

-----sexta-feira, dezembro 20, 2002 | 0


O sono se apodera de mim,
nessa noite brilhante,
e me tráz memórias do que nunca viví.
Lembranças de um tempo em que era cavaleiro,
lutando de castelo em castelo pelo bem;
de quando fui uma águia,
e voava por florestas e montanhas despreocupado;
de quando forjei a Lua em minhas mãos,
guardando nela o ultimo olhar do meu amor.
Mas só durante o sono, em lembranças,
tenho isso novamente.
Não há mais reis bons cujo reino possa proteger.
Não há mais florestas, nem vôo pacífico para uma ave.
Não há mais sonhos, material com que trabalhava.

-----sexta-feira, dezembro 20, 2002 | 0


Música,
qual é a música das coisas?
Tudo tem sua música
o farfalhar das folhas ao vento da árvore,
o escorregar manso das águas d'um rio,
o piar, gralhar, miar, latir, falar
dos que piam, gralham, miam, latem, falam.
Mas, dentre todas as obras da natureza,
qual será a música da Lua?
E não se escuta resposta (Silêncio)

-----quinta-feira, dezembro 19, 2002 | 0


Domingo passado a Casa de Vairë me deixou emocionado... (se vc não sabe o q é deixe um comment, mas é tão pouca gente que lê isso que quem lê deve saber...) E com a Lua de ontem a noite, então... Acabou saindo o seguinte conto, meiguinho, mas bonitinho....

Era Natal, em certa casa.
A família se reencontrava, após vários anos. Os filhos, longe, trabalhando muito. A mãe, cuidava da filha pequena, sozinha. Mas conseguiram se reunir.
Durante a janta, conversavam sobre suas vidas:
-Sou administrador de uma grande empresa de comunicação e estou muito rico - disse um filho.
-Eu me formei advogado, já defendi diversas celebridades, e também já ganhei muito donheiro - disse o outro filho.
-Eu to estudando e uso o dinheiro da mamãe - disse a filhinha.
Após a janta, um dos filhos comentou:
-Estava bom, mas porque não deixou que eu trouxesse meu gourmet? Ele prepara pratos incríveis!
-Ou então poderia ter encomendado comida num buffet dos mais finos! - disse o outro filho.
-Estava ótimo mamãe! - terminou a filhinha, fazendo todos rirem.

Chegou a meia noite, todos rezaram, se abraçaram, e começaram a trocar presentes.
-Olhe mãe, te trouxe esse lindo vestido branco, para você brilhar em qualquer festa que você for! - disse um filho.
-E eu trouxe este colar de brilhantes para você ficar chic quando for comer em algum restourant caro! - disse o outro filho.
A filha, que não tinha nada, ficou quieta no seu canto. Logo depois foram todos para seus quartos, dormir.

Quando a mãe acorda no dia seguinte, os filhos já foram, deixando recados que precisavam voltar logo ao trabalho. Mas ela escuta um choro, e vai atrás da filha. Encontra-a na cama, com a janela aberta, e um corte no joelho.
-Nossa, filha, como você fez isso?!?!
-Bem, que tava querendo te dar um presente.... Você tinha recebido coisas para brilhar, mas nada brilha no escuro. De noite, então, tive uma idéia: subi na minha cama e no meu banquinho, e tentei pegar a Lua para te dar, para que em qualquer hora você estivesse sempre brilhando. Aí eu caí....
A mãe, chorando, abraça a filha fortemente.
-Não me importa o que seus irmãos me deram, foi somente o seu presente que me fez brilhar por dentro.

-----quinta-feira, dezembro 19, 2002 | 0


"Mundo mundo, vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não uma solução."
Não importa nosso nome, nossa nação,
somos todos iguais em nosa condição.
Pobres, na vida, na experiência, no conhecimento,
temos vida curta, fadada ao esquecimento.
Egoístas, elevamos nossa dor e esquecemos a de outrem,
ninguém está interessado ao perguntar 'Tudo bem?'.
Desperdiçamos nossa brevidade em busca de papel,
diploma, dinheiro, escritura, casamento,
tendo por fim apenas o testamento.
Que diferença há, ao nascer,
entre aqueles que pobres ou ricos vão ser?
O que dá a um o direito de bem comer
e a outros nem meio de sobreviver?
O que importa sua etnia, religião,
quando você estiver num caixão,
7 palmos abaixo do chão?
Se não é chamar-se Raimundo,
qual é a solução?

-----quinta-feira, dezembro 19, 2002 | 0


Chove.
Molha a folha,
a gota na calha
cai sobre a palha
fazendo um gorgulho
quase uma agulha
som de fagulha
SHHHHH.....

Olho a janela,
matilha de gotas
filhas das nuvens
ilham-me do mundo.
Falha a luz.
Pego uma malha,
uma lanterna à pilha
e saio pela trilha.

Velha conhecida,
ando por milhas.
Esfolo o joelho
na ponta d'um galho
que o vento chacoalha.
Mancando gargalho
d'uma disputa de coelhos
por uma espiga de milho.

Terminada a partilha
aprumo a orelha,
lembrando da cartilha,
e escuto uma talha.
Sigo o barulho
e lá meu pai trabalha.
- Foi o orvalho ? - pergunta.

Sorrio, e vejo que a tempestade já terminara.
Desligo a lanterna,
enxugo o rosto.

Como é gostoso andar na chuva!

-----quinta-feira, dezembro 19, 2002 | 0


                                             Sou

pura - MENTE                              
inconstante - MENTE                              
so - MENTE                              
solitaria - MENTE                              
timida - MENTE                              
louca - MENTE                              
apaixonada - MENTE                              
fisica - MENTE                              
(eu)                    

-mente torta em corpo torto-

-----quarta-feira, dezembro 18, 2002 | 0


Oh Lua, lua,
quando escreverei poema digno de tua beleza?
Flor prateada da noite,
abre tuas pétalas e despeja sobre o mundo
o doce pólen de sua luz.
Olho divino, vês a Terra toda,
adormecendo mensalmente quando tens
o vigoroso Sol para vigiar em teu lugar.
És a divindade que venero,
espírito que existe, beleza,
sobrevoando nossas cabeças
e iluminando os viajantes nas noites frias.
Serás meu eterno e maior amor,
sempre minha companheira que me abençoa
com o que tantos poetas já se inspiraram:
O mais perfeito espetáculo da natureza.

-----quarta-feira, dezembro 18, 2002 | 0


Escuto música clássica
como que fugindo do habitual
de pop-rocks nacionais no toca-cd,
e funks, pagodes, sertanejos (argh!) na TV.

Leio romances e fantasias
incorporando personagens mitológicos
num teatro apenas mental,
como que fugindo do habitual
de uma vida pacata e normal,
e de guerras, morte, miséria.

Fujo de tudos e de todos,
para um destino nada conhecido por mim:
Eu mesmo.
E em mim acho tudo aquilo de que fugi,
seja na dó, no desejo que não existisse,
na indagação de porque é assim, e não muda.
Pois, mesmo fugindo da vida,
vivo,
faço parte de um mundo,
que por meio de meus sentidos e mente
faz parte de mim.

Não quero mais fugir
pois cansei de correr em vão,
me encontrando sem me achar.
Quero me achar sem me encontrar,
sem fugir, em qualquer lugar,
quero entender só um pouco mais sobre mim.

-----quarta-feira, dezembro 18, 2002 | 0


A primeira flecha vai aos ares.
Trombetas soam, gritos, tumulto, correria,
cena em que até o grego Ares
por um momento hesitaria.

Os arcos são rápidos,
as espadas cintilantes,
os escudos, espelhos,
as armaduras, pano para limpar o sangue
do tapete rubro de corpos no chão.

Irmão contra irmão,
pai contra filho.
Povos inimigos, distantes,
mas sempre há um irmão, um pai, um filho envolvido.

Os generais, em roupas de gala e cadeiras estofadas,
tomam café e vêem as dançarinas da casa,
antes de chegarem a um acordo
(tradições não devem ser rompidas).

-----quarta-feira, dezembro 18, 2002 | 0


Não sei viver.
Não sei ser.
Não sei saber.
Vivo,
sou,
sei (ou não).
Só sei que nada saberei,
nem quando vier a hora
de virar comida aos fungos.
Viverei o suficiente?
Terei sido alguém?
Terá valido a pena?
Terei feito a diferença?
Ou terá sido tudo em vão,
mais um com desejos impossíveis,
sonhos pequenos, fracassos?
Terei sido apenas uma ameba
(nasce, cresce, come, divide, morre)?
Se que serve tudo, então?

Sim/Não

-----segunda-feira, dezembro 16, 2002 | 0


O que antes achava errado agora acho certo,
o que achava certo agora acho errado.
Mas continuo achando as mesmas coisas
                                          das mesmas coisas.

Não consigo mudar, não consigo mudar, não consigo.

Sou e não sou, tudo e nada,
romântico e racional, poemas e fórmulas,
                                          letras e números
Penso sempre a mesma coisa.
Minha poesia é sempre a mesma poesia,
                                          mesmas palavras,
minha vida é sempre a mesma.

Quero mudar, sei que preciso mudar.
Não consigo, não consigo, não consigo.

Cansei de ser o mesmo,
gostando de ser eu mesmo.

Sou como sou e sou feliz.
Sou como não sou e sou triste.
Não sou como sou e sou louco.

Sou nada
Sou vazio
Sou vácuo
Sou infinito
Sou tudo
Não sou

(Não há o tudo e o nada,
Apenas há)

-----segunda-feira, dezembro 16, 2002 | 0


1 - O Julgamento

Confesso-me.
Peço perdão.
Estou preso atrás de grades,
numa cela sem paredes.
Pego o que estiver a mão
para fazer barulho.
Sob juramento,
digo apenas a verdade.
Como testemunha, palavras, amigas,
me ajudam a tirar-me a culpa,
que sei que tenho,
sob pretexto de não saber o que faço.
E realmente não o sei.
O faço por instinto.

Minhas grades são horizontais,
impressas num caderno,
e você, leitor, é meu juiz.
Irá me absolver??
----------------------------

2 - A Confissão

Minha poesia não é minha,
é tudo roubado.
O lápis com que escrevo não é meu
(é de meu irmão).
O caderno no qual escrevo não é meu
(o dinheiro que o compro é de meus pais).
As palavras que escrevo não são minhas
(são de nossa língua portuguesa).
As figuras que uso não são minhas
(são de reais poetas).
As rimas que uso também não são minhas
(e já estão até desgastadas de tanto serem usadas).
Os sentimentos que me são assunto não são meus
(são de todos, todos os têm).
As imagens que descrevo não são minhas
(são cenas de filmes ou da vida).

A musa a quem escrevo não é minha
(ela não me quis).

--------------------------------

3 - O Veredito

-Após a análise dos fatos,
juntando palavras e cacos,
chegou-se a um veredito,
que agora será lido.

O réu foi considerado culpado
pelo crime de ser diferente do esperado
por tentar ser bom e romântico
distoando assim do usual cântico.

Sua pena será não mais falar,
utilizará apenas o papel para se expressar,
já que foi isso que ele quis.
Além disso, perderás o direito de ser feliz.

----------------------------------

4 -

E assim foi meu julgamento encerrado,
condenado a ser sempre mal-amado.
O mais estranho é que a pena veio antes de o crime ocorrer,
antes mesmo de eu nascer.

Agora sabes porque escrevo,
escrevo simplesmente porque o devo,
este é meu eterno castigo,
lápis e papel estarão para sempre comigo.

Ainda atrelado ao julgamento
o que escrevo nunca invento,
é sempre verdade, óbvia ou disfarçada,
quem me conhece não tem dificuldade em desvendá-la.

Se me chamam de poeta
não sabem quanto a poesia de um deles é mais bela.
Se escrevo, é por obrigação,
não tenho outra opção.
Pelo beletrismo não tenho ambição.

-----segunda-feira, dezembro 16, 2002 | 0


Além de poesias vou colocar hoje um link pro blog de um amigo, tem um texto muito bom, começa lá no penultimo post, chamado "Baile de máscaras" e termina mais em cima com "Shall We Dance".
In Limbo

É também um dos blogs mais bonitos e bem-feitos que eu já ví, podendo ser comparado a poucos outros. (o "Me" na lateral é um menu, para quem não percebeu)

-----domingo, dezembro 15, 2002 | 0


Não posso mais escrever
belos poemas apaixonados,
mesmo estando apaixonado.
Falta-me algo.
Não é a paixão,
pois gosto muito daquela que me é musa.
Não são palavras,
pois é muito grande o que sinto,
e é perfeita aquela a quem escrevo,
um dicionário só de qualidades não me bastaria.
Falta-me é a inspiração
para que saia belo o poema,
e não sombrio e triste.
Falta-me você.

-----domingo, dezembro 15, 2002 | 0


O sol já se pôs.
A Lua, cheia, já saiu aos céus.
E só me resta admirá-la,
com os olhos lacrimejantes de um poeta.
E só o que posso fazer,
observá-la de longe,
poeta, sonhador.
Atravessa o céu,
enquanto crio esperanças
de um dia alcançá-la,
astronauta, poeta, sonhador.
Mas perco-me em teorias e especulações,
quando vejo, o Sol já nasceu.
Tolo.
Astronauta, poeta, sonhador.

-----sábado, dezembro 14, 2002 | 0


É uma árvore
em uma ilha
de um oceano qualquer.

É uma semente
levada pelo vento
de uma outra árvore qualquer.

É uma vida
num límpido deserto
para qualquer um que não saiba nadar.

É a minha vida,
solitária,
numa existência qualquer.

Não sou um qualquer.
Sou único.
Mas vivo sozinho numa ilha qualquer.

-----sexta-feira, dezembro 13, 2002 | 0


Confissões

Não sei mais o que fazer da vida.
Não sei se rio ou se choro,
se me alegro ou entristeço,
só fico num estado letárgico,
sem nada fazer.

Infinidades de assuntos
correm em minha cabeça,
nenhum é insignificante,
nenhum é mais importante,
mas são tantos que não fixo pensamento em nenhum.
Então é como se não os tivesse,
não fosse a eterna sensação
que esqueci, que deixei de fazer algo.

E nem tenho eu motivos para a tristeza,
enquanto que para a alegria tenho tantos,
mas algo me falta,
justo o que mais quero,
que faz tudo o que tenho perder o significado.
Mas, mesmo assim, não consigo arriscar tudo
na incerteza do resultado.

Sonho eu demais??
É muito querer ser feliz,
fazer o que se gosta?
Se não posso ser herói,
cavaleiro dos moinhos de vento
-cabeças de vento-
porque preciso ser qualquer um,
perdido na multidão?

As montanhas, ao fundo de minha visão,
dão-me abrigo em seus campos verdes,
até que percebo o fino vidro
que me separa delas.

Seria eu um pássaro,
se pudesse escolher.
Mas será que teria a noção
da liberdade que teria?
Não, pois nunca a perderia.

Escrevo, como forma de confissão.
Desabafo, sonho, declaração.
E, depois de escrever,
volto à letargia de minha vida.

-----sexta-feira, dezembro 13, 2002 | 0


Pois dizes-me que estou quieto!
Se quieto estou na fala
é porque em polvorosa está meu peito!!
São teus olhos que me emocionam,
tua boca que me chama,
tua voz que me nega.
É amizade, admiração,
e muito mais, paixão,
e medo, medo de perder.
Como se raios e orquestras
motores e florestas
se fundissem num só som
tão ininteligível que
o que me escapa pela fala
é apenas o silêncio.

-----sexta-feira, dezembro 13, 2002 | 0


Ando pelo jardim e vejo flores,
brancas, vermelhas, rosas
e de tantas outras cores.
Vejo também altas árvores, frondosas,
com verdes puras folhas,
que no fim do dia
uma suave chuva molha
numa gostosa e sonora melodia.

Refresca meus ânimos,
acalma minha sede.
Mostrando-me a vida,
distrai-me da vida.

-----terça-feira, dezembro 10, 2002 | 0


Mais uma mais antiga, mas do mesmo assunto....

Cidade de Fantasmas

Olhe a cidade em que vivo,
as cidades em que todos vivemos,
são todas cidades de fantasmas,
onde nascemos e morremos.

Cidades falsas, escuras
sombrias, enganadoras,
cheias de amarguras.

As pessoas aqui não vivem,
apenas nascem,
sofrem para sobreviver,
e morrem.

São fantasmas da civilização.

Apenas trabalham,
correm, passam,
não falam,
ao redor não olham.

Não olham a Lua,
e nem podem,
sumira na imagem obscura
da poluição.

Não olham para as árvores,
e nem podem,
viraram mármores,
mortas nas casas da população.

Não olham umas para as outras,
e nem podem,
não tem face nem tempo,
estão todos correndo,
sofrendo para sobreviver,
numa Cidade de Fantasmas.

-----terça-feira, dezembro 10, 2002 | 0


Essa poesia já é mais velha, já foi publicada aqui, mas se encaixa bem entre as últimas, além de ser uma das que eu mais gosto...

O fim do mundo

Que mundo é este,
o qual considero como meu?
Entre o Norte, Sul, Leste e Oeste,
e que tu também achas que és teu?

Onde tudo é confuso,
de estranhos modos;
onde um parafuso
falta em todos?

Onde um pedaço de papel
pode mandar,
comprar o céu,
e escravizar
pessoas que só querem
ter um lar
e se alimentar?

Onde o tempo
não é mais infinito;
ter relógio
é bonito;
e temos de correr
para tudo fazer?

Onde o dito ser mais inteligente
mata e destrói
gente como agente,
sem motivo,
só para que a dor aumente?

Onde as pessoas
são vistas pelo que têm;
e que quanto mais coisas
menos intimidades se vêem?

Onde o convívio social
foi trocado por caixas
com imagens de efeito moral
substituindo as conversas informais
entre amigos reais,
que quase não existem mais?

Onde o homem
perde lugar para suas invenções,
enquanto outros moram
fora de suas construções?

Onde o amor sumiu?
Onde o sabor do beijo desapareceu?
Onde a ordem é ficar,
pelo MOMENTÂNEO bem estar?

Onde o gostar
tem mais a ver
com o desejar,
o ter
e o estar;
do que com
o amar,
o ser,
o admirar
e o bem querer?

Que mundo é este?

-----terça-feira, dezembro 10, 2002 | 0


Estúpido dos seres,
o único capaz de criar,
o único capaz de deixar a cria escapar.
Era criador, agora é escravo
de máquinas modernas
que mesmo sem razão
conseguem dominar
a vida de seus criadores
que já até esqueceram
como viver sem elas.

-----terça-feira, dezembro 10, 2002 | 0


Mesmo em um admirável mundo novo,
de tecnologias incríveis e inimagináveis,
somos apenas passarinhos num ovo,
brincando de telefone de lata com outras aves.
Nossas máquinas nos libertam
e são nossas cascas, metálicas,
que com velocidade contam,
e nos contam histórias fantásticas
para dormirmos quietinhos,
dentro desse ovo, quentinhos,
e nos esquecermos de sairmos,
brincarmos, quem sabe até voarmos.

-----terça-feira, dezembro 10, 2002 | 0


Ó vida moderna,
de vícios confortáveis
e confortos viciantes,
suas máquinas nos enlouquecem,
fazem-nos passar dias de lazer
trancados em nossas casas
criando calos nos dedos.
Atrai-nos, moradores do mundo,
e nos afasta de nossos vizinhos.
Adoece músculos e engana a mente
dando informação demais e demenos
sobre o que acontece.
Entereças-te saber a cotação
da moeda nova do Longiquistão?
Não te tornes uma máquina,
VIVE!!

-----terça-feira, dezembro 10, 2002 | 0


Estou tendo problemas com esse site, então quem quer que ainda visite-o poderia deixar no "sua opinião" se está vendo a lista de mensagens antigas do lado esquerdo da tela??

-----segunda-feira, dezembro 09, 2002 | 0


hum, ultimo dia de aula amanhã... com quantas pessoas deixarei de ter contato, quantas verei apenas vez ou outra....
ainda mais se for mesmo pra campinas....
são os amigos que mais me prendem aqui....

-----segunda-feira, dezembro 09, 2002 | 0


Ó ciência, me explique,
quem sou eu??

A física me diz como minha matéria é feita,
assim como minhas relações com o exterior.
Sou um amontoado de átomos??

A química me diz que substâncias me fazem,
e quais delas reagem para me construir.
Sou um amontoado de substâncias?

A biologia me diz o que acontece com minhas células,
e seu relacionamento para me dar um metabolismo.
Sou um amontoado de células?

Todas me explicam de que sou feito,
mas nenhuma explica quem sou.
Sou um amontoado de idéias??

Quem sou?

-----segunda-feira, dezembro 09, 2002 | 0


Lâmpada

Corro, corro, mas não tenho medo
num caminho que é minha vida.
Avanço e retrocedo
num labirinto sem saída.

Dou voltas e não saio do lugar,
giro, giro, contra as adversidades,
mesmo sem ter finalidade
ou lugar para chegar.

Para brilhar e aparecer,
uso minhas forças sem saber,
e, sem querer, gasto minha energia
fazendo coisas que nunca faria.

Porém, deste ciclo, infelicidade,
não posso me retirar;
quando vejo a liberdade
sou obrigado a desviar ou a parar.

E se, alguma vez, no destino sem sentido,
um atalho aparecer,
PUFF.
Curto-circuito.

-----segunda-feira, dezembro 09, 2002 | 0


Achei bem legal o fundo desse comments... :)

-----segunda-feira, dezembro 09, 2002 | 0


É isso que nos faz
querer ter compania,
alguém que não fica para trás
na tristeza ou na alegria.

É isso que nos une,
com a qual choramos juntos,
e também rimos juntos,
piadas são nosso costume.


É por isso que temos
entre nós confiança
para contar segredos
e nos dar conselhos e esperança.


É por isso que brincamos,
compensando as dificuldades
que, juntos, enfrentamos.
É isso a amizade.

-----segunda-feira, dezembro 09, 2002 | 0


Somente a noite eu posso
com a presença das estrelas e da Lua
desviar meus pensamentos de ti.
Durante o dia eles te seguem,
o os olhos aceitam as ordens
para admirar-te insistentemente.
Teus olhos, tuas mãos, tua boca, ah, tua boca!!
Quem me dera fosse minha tua boca.
E, enquanto olho-te, escuto-te,
tua voz e tua risada são gloriosas,
como o som espumante e doce de uma pequena queda d'água.
E tuas palavras, que palavras pronuncia,
mostras que além de beleza tem sabedoria.

E, durante a madrugada
são meus sonhos que te procuram,
e te vejo, voando, pássaro lindo dos céus,
e, com meu canto, chamo-te a atenção,
me levando contigo aos ares de loucura e prazer,
só de estar contigo, em teus braços.


Só mesmo as estrelas e a Lua,
num breve período entre dia e sono,
que me afastam os pensamentos de ti,
só para serem poe elas levados
numa pura e suave busca poética
pela maior beleza já existente.
E volto a pensar em ti.

-----segunda-feira, dezembro 09, 2002 | 0


Tenho confiança que um dia
um dia terei a alegria
de estar em teus braços
preso em teus laços.

Ainda serei corajoso,
e o destino me será bondoso,
uma chance me dará,
e, se não der, criar-la-ei eu mesmo,
não mais esperarei a esmo,
um milagre não ocorrerá.


E, calorosamente, beijar-te-ei,
num luxo digno de rei,
e tu, minha rainha,
será para sempre amada minha!!

-----segunda-feira, dezembro 09, 2002 | 0


Choro. Choro versos.
Pois lágrimas já não tenho.
Nada que faço dá certo.
Ninguém parece me amar.

Que puxa....


Não vejo motivos
à morte ou à vida,
são-me os mesmos.


Ninguém me odeia, nem me ama.
Substância neutra, transparente.
Não sou o melhor nem o pior.
Não sei nada a mais,
não faço nada demais.


Sigo vivendo como se escorregando no gelo.


Estou errado por não ter inimigos??
Em ser poeta e romântico?
Em ser tímido e só tentar fazer o bem?
Ninguém lerá meus versos,
nem perceberá se eu sumir.


Canto, sem encanto.
Falo, sem assunto.
Escrevo, sem estilo.


Não sou ninguém.

-----segunda-feira, dezembro 09, 2002 | 0


Vou voltar a postar aqui... deu vontade....

(as poesias são desse ano, mas não mto novas...)

-----sábado, novembro 30, 2002 | 0


Click here to cast your vote now in the national referendum to stop the war in Iraq.

-----segunda-feira, novembro 18, 2002 | 0


Sorry para aqueles que não ganharam poesias... é dificil isso.... hehe

-----segunda-feira, outubro 21, 2002 | 0


Estudiosa menina Anne,
não mais reclame,
Beth Zink é passado,
o conteúdo de química já foi dado,
só a verá na revisão,
mas não ir é sempre opção.

Minha amiga Anne,
lágrimas não mais derrame,
seus amigos e amigas sempre irá encontrar,
mesmo se longe forem estudar,
pois todos vão querer rever rapidinho
sua alegria e seus pulinhos.

Futura engenheira Anne,
seus defeitos não mais questione,
acredite em sí mesma, especial
(mas sem se achar a tal),
olhe mais para suas qualidades,
tantas, que terá mais felicidade.

Bela moça Anne,
sortudo daquele que um dia você ame,
pois terá de todas a melhor companheira.
Continue sempre assim, persistente, guerreira,
alegre, simpática, linda, esperta.
Em Guarulhos sempre encontrará uma porta aberta.

Muitas pontes, túneis, amores, encontros com os amigos(as)...

-----segunda-feira, outubro 21, 2002 | 0


Lá vai Leandro,
voando,
em seu protótipo,
ótimo,
um grande engenheiro
-dinheiro-
fazendo o que sempre quis,
feliz.

Voa, voa assim como na imaginação,
avião,
para cumprir seu destino,
menino,
de ser piloto, diretor, projetista,
artista,
cujas obras de arte têm janelas,
belas!

Curioso, como físico-cientista,
ITA,
esforçado, decidido, dedicado,
engraçado,
que mesmo no 1º ano me parecia ser simpático,
prático,
não se esqueça de fazer vôos comigo,
amigo.

Que seu futuro se concretize nas nuvens (conotativa e denotativamente)

-----segunda-feira, outubro 21, 2002 | 0


No pequeno lago de minha pessoa
cai uma tremenda chuva de emoções.
Um caos, uma tormenta que me atormenta,
entontece, confundi.

É a saudade dos que ainda não foram,
mas que só por saber que logo vão surge,
entre aqueles que entre laços e lembranças são inseparáveis.

É a ansiedade frente ao incerto,
o questionamento sobre o futuro
que me espera num mundo físico-exato.

É a tristeza daquele que, romântico,
não encontra quem tanto busca,
sua correspondente para um poético relacionamento.

É o pezar de reclamar sem dor,
sem fazer nada por aqueles que sofrem,
além de fechar os olhos para não chorar...

O lago, prestes a transbordar, só se salva
pela comporta da poesia
e o sol revigorante da amizade.

-----segunda-feira, outubro 21, 2002 | 0


Hey, aki estão 3 poesias novas (escritas ontem):

-----terça-feira, outubro 01, 2002 | 0


Ops, esse caderno ficou meio esquecido... sorry....
Mas ainda não vai ser hoje que vou colocar poesias novas...
Enquanto não faço isso, podem visitar meu outro blog, Leo Matheus, porque aquele eu estou atualizando mais....

-----sexta-feira, setembro 13, 2002 | 0


Sonho e pesadelo.

Tento dormir.
Não consigo.
Aquele pensamento,
sonho e pesadelo,
sempre volta.
Não tenho saída,
estou numa cela.
Algemas me prendem.
Escuto sussurros.
É a tua voz.

Gargalhadas histéricas;
quando falo que te amo, silencia-me,
e volta a rir.
Zomba de mim,
de meus poemas,
de meus sentimentos.
Tudo é motivo para brincadeira.
Enfureço-me, já que sinto
que estou sendo enganado.

Não pode ser,
tu não farias isso.
Arrebento as algemas,
pego-te em meus braços,
aperto-te firme.
Escuto um último suspiro.
Desculpe-me. Estás morta,
em minhas mãos sujas de sangue.
Enlouqueço, como pude fazer isso?
E, com as mesmas mãos, sijas de sangue,
tiro-me a vida.
Caio, inerte, ao teu lado.

Não quero mais esse pesadelo.
Não quero mais a rejeição.
Quero a vida, o amor.
Ter um sonho d'um vasto campo,
lindas flores, sem espinhos,
e só nós dois.
De mãos dadas, entalhando numa velha árvore
o nosso romance.

Beijos dados como toques do vento;
uma coroa de flores de diversas cores;
um sol que só realça teu brilho;
sua pele, clara como o leite;
teus cabelos, doces como o mel;
e teus olhos, como posso descrevê-los?
Não há outra palavra senão perfeitos,
assim como este sonho,
que espero um dia realizar.

-----sexta-feira, setembro 13, 2002 | 0


O Porquê da minha vida.

É somente para te ver
que eu acordo todo dia.
Presenciar este anjo é meu dever,
e um prazer estar em tua compania.

Apenas para sentir teu perfume,
escutar tua voz melodiosa,
ver tua beleza grandiosa
e ofuscar-me com o brilho dos olhos de lume,
que vivo e sobrevivo,
acordo e sonho,
durmo e deliro,
e seguro-me a este mudo enfadonho.

Tu és o motivo da minha vida;
meu 'carpe diem', minha querida.
Em tuas mãos está minha existência,
do fim do tunel és a luminescência.

Tu és tudo.
Sem ti, ficaria surdo, mudo, cego, louco.
Morto.
Não posso viver sem ti.

-----sexta-feira, setembro 13, 2002 | 0


Agora eu volto para a sequência normal

-----quinta-feira, setembro 12, 2002 | 0


Luz de alguém

Mais bela que nunca
está você, a brilhar
sol a nascer,
lua cheia a brilhar.

Uma estrela solitária;
uma flor no deserto
bela e delicada
com espinhos por perto.

Tão dificil pegá-la,
muitas vezes já tentei
e por vezes me cansei.
Porém, vê-la revigora-me,
e mais uma vez tentarei.

Que movimentos sutis,
sensíveis e perfeitas formas,
e foge de todas as normas
do possível imaginário do belo.

Me deleitei
ao sua mão segurar,
por um instante,
na brincadeira de pegar.

Que mão leve! Como pluma!
A qual em música serena
conseguirei tocar.

Uma cachoeira
no meu caminho é.
Tão bela de ser,
impossível transpor
sem perceber,
sem se molhar,
sem esquecer.

Porém, ao contrário da cachoeira, sol e mar,
lua, flor, pluma, ar,
você tem coração,
capaz de receber amor
que lhe envio todo dia;
de sentir o valor
do que agente cria.

Timidez, uma barreira a transpor
me trazendo a solidão.
Chega de tanto louvar
quem me faz andar,
e consiga coragem
para um dia, quem sabe,
me declarar.

-----quinta-feira, setembro 12, 2002 | 0


Não insista que não tem
uma tão bela atração
no circo da emoção
é um louco vai-e-vem.

Mas como pode alguém
de tão bom coração
torturar com simples não
o coração de outrem?

É a paixão, é a dor
sofrimento e amor
de quem ama realmente.

Vivo num mundo sem cor,
sem luz, sem som, sem sabor,
sozinho, constantemente.

-----quinta-feira, setembro 12, 2002 | 0


Ops, devido as provas fiquei um tempinho sem colocar poesias...
Mas para compensar aí vão duas poesias das antigas, do outro colégio ainda, que eu achei aqui...

-----segunda-feira, setembro 09, 2002 | 0


Escuta meu fado

Óh, mais bela ninfa do Éden,
com quem quero que meus anos passem,
com que honra admiro tua beleza,
trato-te melhor que a realeza.

Óh, lírio dos campos verdejantes,
serves de inspiração aos nobres viajantes
que, mesmo rasgados e cortados por espinhos,
continuam a seguir da vida seus caminhos.

Óh, donzela, escuta meu fado.
Desprezaria tudo para viver contigo,
desprezaria a vida para estar ao teu lado.
Mas, por mais que eu tente, não consigo.
Declarar-me como, se estou amarrado?
Porque o destino é tão cruel comigo?

Porque tenho eu que permanecer sozinho, calado?

-----segunda-feira, setembro 09, 2002 | 0


Uma rosa

Darei-te uma rosa,
plantada com minhas próprias mãos.
Enraizada no fundo de meu peito.
Regada com as lágrimas que chorei de solidão.
Alimentada com minha vida.

Sua seiva é meu sangue.
Seus espinhos são minha dor.
Suas pétalas, lembranças de tua beleza.

A mais bela e cortante rosa,
cujos espinhos só machucam quem a plantou.

Darei-te essa rosa,
como símbolo do que estou sentindo.
Cuida bem dela, não estou mentindo.

Sua semente?
O amor que sinto por ti.

-----sábado, setembro 07, 2002 | 0


Nunca amei tanto antes

Louco, insisto a admirar-te, observo-te todo detalhe.
Cego, insisto a procurar defeitos, mas só acho a perfeição.
Perplexo, só vejo brilho em teu belo sorriso.
Ofuscado, mesmo depois de tanto admirar-te, perco-me em teus olhos de mel.
Alucinado, escuto tua voz como a uma sinfonia.
Surdo, suspiro a cada palavra, tua simpatia é suprema.
Mudo, deslizo nas ondas de seus cachos.
Petrificado, acaricio tuas delicadas mãos com meus olhos.
Apaixonado, amo-te como nunca amara antes.
Tímido, coragem não crio nem acho.
Fraco, não quebro essas algemas.
Solitário, sofro por não estar ao teu lado.

Eu, amando e sofrendo como nunca antes.

-----sábado, setembro 07, 2002 | 0


Meu universo.

Uma lágrima escorreu
quando em ti pensei.
Um pedaço de mim morreu,
quando me distanciei;
um pedaço que renasceu,
quando me lembrei.

Como és linda!
Tua beleza não finda!
Parece o sol ao nascer
ou ao entardecer.
Bela como a Lua, ao escurecer,
que quando cheia fará um amor nascer
e outro se romper.

Uma estrela no céu!
Ah, que olhos de mel!
Lá, cheia de amor.
Eu, aqui, cheio de dor.
Sem nunca sentir seu sabor,
sendo ofuscado por teu fulgor.

Sou planetinha
de tua constelação.
És o centro de meu universo,
e só com tua iluminação
poderei cultivar a vida,
ainda que solitária e sofrida,
no seio de minha nação.

-----sexta-feira, setembro 06, 2002 | 0


Terra nova

Ó bela;
de doce tenra pele alva,
que guiada por vela
ou pela estrela d'Alva
chegaste em tão desconhecida abruptela,
que nunca por fera ou relva
fora descoberta;
Chegaste ao reino do meu peito.

Num barco
chegaste aem meu mar,
com teu sorriso brilhante
ancoraste na praia;
eu, d'um mirante,
observava tua chegada.

Como o Brasil, terra desventurada,
pela recém-chegada tive terra colonizada.
Escravo me tornei
e a ti sempre seguirei.

Depois daquele dia
tuo mudou;
tristeza e alegria,
meu mundo parou.

Vivo em tua função,
és minha rainha, deusa, salvação.
Então não me abandones,
cultiva esta terra com animação,
e não terás insatisfação.

-----sexta-feira, setembro 06, 2002 | 0


Mártir

Olho pela janela.
Vejo a chuva cair,
o avião passar,
as folhas com o vento balançar.

-Ó pobre mártir,
qual a causa de sua dor?
Não percebe a vida ali fora?
O pássaro a piar,
o pernilongo a zunir,
a chuva a cair,
o avião a passar?

-Pedes que cesse a minha dor,
mostrando-me a vida de uma flor,
a queda da chuva e o vôo de um avião.
Mas de que me importa isso
se não tenho vida interior?
Falta-me coração,
falta-me amor.
Como não chorar por solidão?

-----quinta-feira, setembro 05, 2002 | 0


Vivendo e aprendendo

Como posso saber
que sensação é esta que me aflige
se de sensações nada posso decifrar?

Como posso entender
o quão alto se atinge
num vôo de amor sem asas para me guiar?

Como posso escrever
sobre ninfas e esfinge
se minha imaginação está toda empenhada num sonho criar?

Como posso viver
com essa sensação
de nada saber
sem ter outra noção
além de meu próprio escrever?

Como posso aprender
sobre os sentimentos,
sobre o amor,
a curar meus ferimentos,
e a reparar minha dor
se nunca vivi momentos
de tristeza ou louvor?

Sobre isso não há livro nem guia,
mas mesmo se houvesse, não quer-lo-ia,
apenas o que todos já sabem eu aprenderia,
nada de novo criaria.

Mas sozinho não se aprende lição
que esteja ligada ao coração.

Você pode me ajudar, por favor?
Em troca, garanto-lhe,
darei-lhe todo meu amor.

-----quinta-feira, setembro 05, 2002 | 0


Inexperiência

Como posso escrever sobre a vida,
se nada vivi?
Como posso escrever sobre o amor,
se ainda não o senti?

Tento escrever com a imaginação.
Tento, em vão,
alcançar a perfeição,
ao te-la como inspiração.
Mas, sem saber o caminho
do seu coração
só posso fazer algo bonitinho,
mas que não passa emoção.

Apenas quando eu souber o número
de estrelas no céu,
quando tver tempo para contar
as gotas d'água numa chuva
e a sabedoria para adivinhar
o número de grãos de areia numa praia
será belo o poema dessas mãos.

-----quarta-feira, setembro 04, 2002 | 0


Lembranças e delírios.

A noite,
escuridão,
solidão.

Nenhum som,
nenhum movimento,
só lembranças de ti.

Vagos delírios,
já que só lembro-me
do que nunca aconteceu.
Lembro-me apenas
da tua companhia,
de teu cheiro,
de tua pele.
Vagos delírios,
já que nada disso
aconteceu.

Vejo-te de olhos fechados.
Escuto-te de ouvidos tampados.

Nenhum som,
nenhum movimento.
Só lembranças de ti.

A noite,
escuridão,
solidão.

E eu só tenho
lembranças que não valem,
delírios que não valem.
O que aconteceu é pouco,
o que deliro é demais.
Mas só delirando
que posso ficar ao teu lado.

-----quarta-feira, setembro 04, 2002 | 0


Tudo como sempre.

Eu, aqui,
como sempre.
Sozinho,
como sempre.
Tão longe de ti,
como sempre.
Sofrendo,
como sempre.
Sufocando as lagrimas,
como sempre.
Sufocado em lágrimas,
como sempre.
Como sempre,
tu igual.
Tu aí,
eu aqui,
distantes,
como sempre.
Sozinho,
como sempre.
Sozinho.

-----terça-feira, setembro 03, 2002 | 0


Para o poeta e para o astronauta.

O céu.
O tudo e o nada.
O infinito e o fim.
A lógica e a fantasia.
O caminho e o desconhecido.
A inspiração e a expiração.
O estudo e a observação.
Um sonho.
Um alvo.
Um destino.
Um combustível.
Para o poeta e para o astronauta.

-----terça-feira, setembro 03, 2002 | 0


Eu ou eles?

Sou eu
quem está errado,
ou é o mundo
que está pirado?

Fazem guerras
lá ao longe
enquanto eu
como um monge
fico isolado?

Matam gente,
gente sa mata,
enquanto eu,
como um pirata,
fico aprisionado?

Trabalham e morrem,
ou vivem de roubar,
enquanto eu,
como um pomar,
fico enraizado?

Saem e brincam,
se divertem
todos juntos.
E eu?
E eu?
É o mundo
que está pirado
ou sou eu
que estou
no mundo errado?

-----segunda-feira, setembro 02, 2002 | 0


Irreal sempre será

Quando chega a noite,
e estou escrevendo
mesmo sabendo
que não vou lhe dar.

Não terei coragem
de lhe entregar,
mais que miragem
não irá se tornar.

E vou sonhando,
vou delirando
já que sei,
irreal sempre será...

E vou vivendo,
vou aprendendo
que mesmo a dor
posso ignorar.

Se com você
todo dia
posso sorrir
e ter alegria.

E vou sonhando,
vou delirando
já que sei,
irreal sempre será...
irreal sempre será...
irreal sempre será...

-----segunda-feira, setembro 02, 2002 | 0


Asas cortadas

Num instante, num relance,
sinto teus dedos entre os meus.
Acaricio tua delicada mão,
beijo-a, que pele doce.
Junto a ti, braços apertados,
giro, rodopio, flutuo, sorrio,
sobre as nuvens bailamos e dançamos.
Teu rosto procura apoio, carinho,
encosta-se em meu peito,
entrelaças-te em mim.

E, num golpe seco, cortas minhas asas,
que tu mesma me deste.

Como num abismo, caio, infinito.
As nuvens sumiram.
Teu rosto, tua face,
ao fundo, gargalha, rí.
Mas, assim, não paro de te amar.
Não consigo te esquecer,
mesmo me fazendo sofrer.

Isso porque
sem ti, nunca teria tido asas.
Sem ti, nunca teria sonhado.
Sem ti, nunca teria dançado.
Sem ti, não estaria caindo.
Sem ti, não estaria sofrendo.
Sem ti, isso não seria assim.
Sem isso, não te amaria cada vez mais.

-----segunda-feira, setembro 02, 2002 | 0


Pronto, mais algumas poesias!