Sobre mim

"Sou Bacharel em Ciências Moleculares, e Doutorando em Física. Jogador inveterado de RPG e video-game. Terceiro-mestre na arte de pentelhar, e build full int/cha."


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-----sábado, outubro 15, 2005 | 0


"Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio" - Provérbio indiano.

-----quarta-feira, maio 05, 2004 | 0


Pirulito que bate-bate
Pirulito que já bateu
Quem gosta de mim é ela
Quem gosta dela sou eu



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-----domingo, dezembro 07, 2003 | 0


"QUALQUER

Qualquer tempo é tempo.
A hora mesma da morte
é hora de nascer.

Nenhum tempo é tempo
bastante para a ciência
de ver, rever.

Tempo, contratempo
anulam-se, mas o sonho
resta
, de viver."

Carlos Drummond de Andrade

-----domingo, outubro 26, 2003 | 0


Álvares de Azevedo
Trecho de Crepúsculo nas montanhas

"Oh! quando o pobre sonhador medita
Do vale fresco no orvalhado leito,
Inveja às águias o perdido vôo,
Para banhar-se no perfume etéreo.
E nessa argêntea luz, no mar de amores
Onde entre sonhos e luar divino
A mão eterna vos lançou no espaço
Respirar e Viver!"

-----quarta-feira, outubro 08, 2003 | 0


Retirado de um livro de Bioquimica, de um dos maiores fisicos do ultimo seculo (depois eu traduzo para o portugues):

"Growing in size and complexity
Living things, masses of atoms, DNA, protein
Dancing a pattern ever more intricate.
Out of the craddle onto the dry land
Here it is standing
Atoms with consciousness
Matter with curiosity.
Stands at the sea
Wonders at wondering
I
A universe of atoms
An atom in the universe."
[Richard P. Feynman]

-----quinta-feira, outubro 02, 2003 | 0


Jornal de Poesia - Alberto Caeiro:
"Vai alta no céu a lua da Primavera
Penso em ti e dentro de mim estou completo.
Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.
Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz.
Amanhã virás, andarás comigo a colher flores pelo campo,
E eu andarei contigo pelos campos ver-te colher flores.
Eu já te vejo amanhã a colher flores comigo pelos campos,
Pois quando vieres amanhã e andares comigo no campo a colher flores,
Isso será uma alegria e uma verdade para mim."
[F. Pessoa - Alberto Caeiro]

-----domingo, setembro 21, 2003 | 0


Jornal de Poesia:
"Tenho Tanto Sentimento

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.
Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar. "
[Fernando Pessoa]

Pessoa, Pessoa... sempre contigo acho tudo o que quero...
E nesse momento essa poesia representa-me...

-----domingo, setembro 21, 2003 | 0


Jornal de Poesia:

"O Coro das Ninfas:
—— Que remédio deste aos humanos contra o desespero?

Prometeu:
—— Dei-lhes uma esperança infinita no Futuro"

[Ésquilo, in Prometeu Acorrentado]

-----domingo, setembro 21, 2003 | 0


Frase da semana, depois de uma aula de bioquimica:

"Um amontoado de átomos tentando entender como funciona um amontoado de átomos."

-----sexta-feira, setembro 12, 2003 | 0


Garota SuperPoderosa:

"Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
– Foi poeta – sonhou – e amou na vida. "

ÁLVARES DE AZEVEDO

-----sexta-feira, agosto 15, 2003 | 0


Jornal de Poesia - Ricardo Reis:
"Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.

Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.

Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado."

Ricardo Reis

-----sexta-feira, agosto 15, 2003 | 0


"Quero dos deuses só que me não lembrem.
Serei livre - sem dita nem desdita,
Como o vento que é a vida
Do ar que não é nada.
O ódio e o amor iguais nos buscam; ambos,
Cada um com seu modo, nos oprimem.
A quem deuses concedem
Nada, tem liberdade."

Ricardo reis, heterônimo de F. Pessoa

-----sexta-feira, agosto 08, 2003 | 0


A ultima por hoje, mesma fonte, agora do Alberto Caeiro:

"O Amor é uma Companhia

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio."

-----sexta-feira, agosto 08, 2003 | 0


Retirado do mesmo site, também do Pessoa:

"O Louco

E fala aos constelados céus
De trás das mágoas e das grades
Talvez com sonhos como os meus ...
Talvez, meu Deus!, com que verdades!
As grades de uma cela estreita
Separam-no de céu e terra...
Às grades mãos humanas deita
E com voz não humana berra... "

-----sexta-feira, agosto 08, 2003 | 0


Retirado do mesmo site, eu tinha que postar essa poesia quando ví...
Essa é de autoria do Álvaro de Campos, um dos heterônimos do Fernando Pessoa:

"O Binômio de Newton

O Binômio de Newton é tão belo como a Vênus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.
óóóó — óóóóóóóóó — óóóóóóóóóóóóóóó
(O vento lá fora.)"

-----sexta-feira, agosto 08, 2003 | 0


Mais uma do Pessoa...
Jornal de Poesia - Fernando Pessoa
"A pálida luz da manhã de inverno

A pálida luz da manhã de inverno,
O cais e a razão
Não dão mais 'sperança, nem menos 'sperança sequer,
Ao meu coração.
O que tem que ser
Será, quer eu queira que seja ou que não.
No rumor do cais, no bulício do rio
Na rua a acordar
Não há mais sossego, nem menos sossego sequer,
Para o meu 'sperar.
O que tem que não ser
Algures será, se o pensei; tudo mais é sonhar. "

-----terça-feira, agosto 05, 2003 | 0


Contos e Babados:
"Minha força está na solidão,. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite"
Clarisse Lispector

-----segunda-feira, agosto 04, 2003 | 0


"Meu ser vive na Noite e no Desejo.
Minha alma é uma lembrança que há em mim."
Fernando Pessoa

-----sexta-feira, agosto 01, 2003 | 0


Poesia retirada do blog Rufus: quase humano., de autoria dele mesmo, Rufus:

"Um poema singelo, melancólico, uma metáfora, com certeza, da tão arraigada incompreensão humana. Não vão chorar ao lê-lo, hein? Eu, você, todos nós nos sentimos um pouco como...

HAGERUP, O FEIO.


De manhã,
chovendo,
quis vir ao mundo,
e veio.
Nasceu como um ser humano,
mas não viveu como ele,
porque seu nome era
Hagerup, o feio.

Um dia,
há anos já nascido,
quis ter amigos
e não os teve – receio...
"Odeiam-me, entristeço-me..."
Cresceu como um ser humano,
mas não viveu como ele,
porque seu nome era
Hagerup, o feio.

E seu aspecto incorpóreo,
e su'alma pura...
Por que? O que a imagem faz
que seu pensamento não capta?
– Não, Deus, não o odeio.
Teve olhares sobre as pessoas, entristecidos,
e estas horrorizadas à sua presença.
Tudo isso porque ela era
Hagerup, o feio.

E fugiu um dia porque teve medo,
e o medo tomou o medo dele mesmo:
– a fobusfobia, seu feio!!!
As palavras seguiam-no,
maltratavam-no, apedrejavam-no,
porque ele nasceu como um ser humano,
e não viveu como ele,
pois era Hagerup, o feio,
quem a história narrava...

"Por que o suicídio,
se o vaticínio celestial me flui,
e dever meu é transmiti-lo a todos?
Não. Não vou exterminar-me.
Posso dividir minha alma ao meio,
mas serei sempre e sempre
Hagerup, o feio.
Porque dessa vida que tenho vida,
nada me trouxe a beleza, que não me veio."

E ele é hoje o poeta da angústia,
a astúcia em versificar a vida que leva,
e mesmo assim ser feliz por isso.
– "Isso? Isso o quê? O que é ser vivo,
quando vivo é aquele ser que nunca entristece, creio?
E ele não viveu como um ser humano,
mas morreu como um outro qualquer que se viu:
seu coração parou,
e sua vida se extinguiu.

Assim, de nunca mais se viu ou ouviu
Hagerup, o feio.
Hagerup, o bom.

(01/09/82)"

-----quinta-feira, julho 31, 2003 | 0


Bem, já que não tem poesias minhas, voltemos às poesias do Pessoa...

***FERNANDO PESSOA
"Vem dos lados da montanha
Uma canção que me diz
Que, por mais que a alma tenha,
Sempre há-de ser infeliz.

O mundo não é seu lar
E tudo que ele lhe der
São coisas que estão a dar
A quem não quer receber.

Diz isto? Não sei. Nem voz
Ouço, música, à janela
Onde me medito a sós
Como o luzir de uma estrela. "